- Foi estranho olhar no relógio e ver que ele marcava 00:05 am.. E se já passou da meia-noite, quer dizer que o dia seguinte chegou.. Sim.. 04/09.. Acho que.. essa data ficará pra sempre em minha memória.. Vocês sabem o que aconteceu no dia.. quatro de setembro de dois mil e seis?.. Acho que, vocês não devem fazer a mínima idéia do que eu estou falando.. Então.. que tal, voltarmos dois anos?! Que tal voltarmos para aquela noite de domingo.. (04/09/2006)… 22:00 horas..
.. Estavam todos na sala, inclusive eu, que por sinal, estava, jogando ragnarok. ô_o’ E enquanto isso, todos ( paula, daniella, lívia, mãe, e rafael) assistiam televisão.. Me lembro que.. nesse dia, eu não tinha comido absolutamente nada, e nem estava com vontade de comer.. Minha mãe começou a gritar (Naquela época, isso não era novidade, fazia até parte da rotina dela..) Lembro também, que nesse dia, completava um mês que eu tinha comprado o liquido azul.. mas conhecido como, raticida, ou veneno para ratos, se você preferir.. A minha cabeça estava a mil.. Eram tantos pensamentos que me torturavam por dentro.. A raiva era tanta.. tanta… Tanta… Que não me deixava raciocinar.. Eu queria ir embora.. queria me livrar de tudo ao meu redor, e de todos também. Decidi desligar o computador, e ir deitar. Mas antes disso, fui até a cozinha, coloquei aguá até a metade de um copo de vidro.. mechi nas gavetas e procurei a faca mais afiada que eu encontrei.. Escondi a faca embaixo do pijama, e fui pro meu quarto sem me despedir de ninguém. Ascendi uma vela branca, tomei a aguá que continha no copo, tirei aquela quantia exata de 55 ml de raticida do frasco e despejei no copo vazio.. Lembro que eu me olhava no espelho na hora em que decidi virar aquele copo.. Antes de beber, eu brindei à Liberdade.. Brindei à minha morte.. Tinha um gosto.. Horrível.. Insuportávelmente horrível.. (Não consigo descrever, porque me dá nauseas..) Lembro que bebi de uma vez só..
O engraçado é que eu achei que assim que tomasse, eu morreria, no mesmo instante… mas mal sabia eu que.. o pior ainda estava por vir.. O tempo foi passando, na verdade eu pedir completamente a noção do tempo.. Eu abaixei a cabeça, e nem sei se passaram segundos ou minutos, até o veneno começar a fazer efeito.. Os primeiros sinais de que o raticida esta ‘agindo’, foi a inesperada sede.. uma sede, absurda.. uma sede insaciavel.. Quando levantei a cabeça, o mundo começou a girar, e eu já não conseguia pensar direito.. Levantei da cama, cambaleando.. abri a porta do meu quarto e fui em direção a cozinha.. Mas não consegui chegar onde eu queria.. Lembro vagamente de sentir o meu corpo tocando bruscamente o frio piso da sala.. E lembro também de ter sentido alguém me balançar e me bater.. Não sei quanto tempo passei desacordada.. Não sei o que aconteceu enquando meus olhos estavam fechados..
De repente, eu consegui abri-los.. O cheiro era muito forte.. Era um cheiro conhecido… Alcool.! Demorei pra lembrar do que estava acontecendo.. e quando dei por mim, eu estava deitada no piso da sala, e todos estavam em cima de mim.. A minha mãe me apertava, e chorava… Eu não conseguia pensar.. eu não ouvia direito… eu não estava enxergando direito.. Mas, mesmo assim, ainda fui capaz de dizer que odiava a minha mãe.. E mandar que ela se afastasse de mim.. Depois disso, as coisas pioraram mais ainda.. A Danê me ajudou a chegar até a cozinha, e depois me levou para o quintal.. E foi lá que.. eu revelei o que eu tinha feito.. Eu já estava praticamente incosciente.. Revelei que tinha bebido 55 ml de raticida, e a fiz jurar por tudo, que não contaria à ninguém.. E ela jurou.. (Nunca vou me esquecer disso.) Nesses dois minutos.. tres no maximo, em que eu conversava com ela.. O meu Anjo-da-guarda chegou em casa… Foi até o quintal, me colocou nos ombros e saiu correndo.. Me pôs no carro, junto com Danê, e com a Paulinha, e foi o mais rapido possivel pra intermedica.. No caminho, eles perguntaram pra Danê o que eu tinha feito,( e eu ainda não acredito que ela cumpriu com a promessa de não contar a ninguem até o final) e ela simplesmente diss que não podia contar.. Depois que eu cheguei na intermedica, eu não me lembro de muita coisa, afinal, eu estava prestes a morrer.. Me lembro de.. Alguém tirando os meus piercings.. Lembro também de ter vomitado.. Nossa, e vomitado demais.. E me lembro também, que o meu Anjo-da-Guarda (Conhecido também como, Adriano) falava comigo.. perguntava o que eu tinha feito..lembro dele.. pegando cobertores.. porque eu tinha frio, muitoo frio… eu tremia.. eu estava roxa.. Eu estava tendo uma hipotermia.. E depois disso tudo piorou.. Logo veio a hemorragia.. e em seguida a parada cardiaca.. E a partir daí.. eu não me lembro mais…
Contaram-me que.. foi uma noite tensa.. Eu corria risco de vida, e nenhum médico da minha cidade queria pegar o meu caso.. E mais uma vez, o meu Anjo-da-Guarda, fez-se presente.. Ele cuidou de mim.. ^^- E eu sou grata a ele, pro resto da minha vida..
Acho que, eu não preciso contar detalhadamente que, passei varios dias internada na Uti, com um dreno no pulmão.. Acho que não preciso relatar detalhadamente que fiquei em coma por quase dois dias… Nem que tossi sangue por muitos dias também..
E hoje, completam dois anos que.. eu tentei me matar..
Tenha uma boa noite..